Atividade de Fontes de História A — Descolonização e PREC: Programa, Imprensa e Retorno (12.º Ano)
Atividade de fontes de História A para o 12.º ano sobre o 25 de Abril, a descolonização e o PREC, com três documentos de naturezas diferentes: o programa do MFA de 25 de abril de 1974 (fonte programática), a primeira página de um jornal do verão de 1975 (fonte de imprensa) e um quadro de dados sobre os retornados (fonte estatística). Inclui tabela de caracterização, modelo de tratamento, seis questões de análise, grelha de avaliação e conclusão metodológica.
O que inclui esta atividade
- Material, normas de trabalho e procedimento — como distinguir promessa, notícia e medição
- Fonte A — paráfrase do programa do MFA: democratizar, descolonizar, desenvolver, e a Junta de Salvação Nacional
- Fonte B — descrição de uma primeira página de 1975: nacionalizações, reforma agrária, independências e a ausência dos retornados
- Fonte C — quadro de síntese sobre o retorno: intervalo de 500 a 800 mil, proveniências, período e acolhimento
- Tabela de caracterização — tipo, produtor, data, destinatário, interesse e limite
- Modelo de análise da Fonte B, com destaque para o valor probatório das omissões
- Seis questões de análise e de cruzamento, incluindo uma de metodologia sobre fontes programáticas
- Grelha de avaliação com cinco critérios e pesos
Competências que desenvolve
Ler fontes programáticas, de imprensa e estatísticas; identificar linha editorial e agenda; reconhecer o valor histórico das omissões; tratar dados como estimativas atribuídas; cruzar intenções, notícias e resultados para avaliar um processo político.
Conteúdo programático
Cobre o organizador 2 no tema «Portugal, do autoritarismo à democracia»: o 25 de Abril de 1974, o programa do MFA, o PREC (nacionalizações, reforma agrária, verão de 1975), a descolonização e o retorno de população das ex-colónias. Complementa a ficha 12 da série e a AF de debate «25 de Abril: rutura ou continuidade?».
Porque isto importa
A descolonização portuguesa foi feita em menos de dois anos, em contexto de guerra civil em Angola e de conflito político aberto em Portugal. Esta atividade reúne três fontes que raramente se leem juntas: o programa que prometeu tudo, o jornal que noticiou a revolução e os números que registaram o seu custo humano. O exercício decisivo está na questão sobre as omissões: um jornal de 1975 que não menciona retornados está a dizer-nos algo sobre o que a revolução queria ver — e o historiador tem de ler esse silêncio como evidência. É também a base factual para discutir hoje memória colonial, acolhimento e integração.
Erros comuns
- Ler o programa do MFA como balanço: é uma declaração de intenções, feita no dia do golpe.
- Tratar a imprensa de 1975 como espelho neutro dos acontecimentos: cada jornal tinha linha editorial e agenda.
- Apresentar os números dos retornados como censo: são estimativas que variam conforme a fonte.
- Separar a descolonização da política interna — foram o mesmo processo, com os mesmos protagonistas.
Como usar esta atividade
Começa pela Fonte A: pede que sublinhem os três verbos e o sujeito que os assume — é a chave de todo o processo. Na Fonte B, o trabalho mais produtivo é o inventário das ausências: o que não está na primeira página. A Fonte C deve ser lida em voz alta com a nota de rodapé: os números são intervalos, não certezas. Na questão 5 está a síntese, e a grelha de avaliação valoriza sobretudo o uso de evidência identificada e o tratamento correto dos dados.